Um universo próprio construído apenas a partir de timbres de guitarras é a marca do trabalho do músico paraense Pio Lobato. Seus experimentos têm como pilar a força primal dos loops: a repetição é matriz de texturas criadas com camadas sobre camadas sonoras, unicamente com o uso do instrumento elétrico. Sotaque brasileiro para a guitarra.
O trabalho de Pio Lobato sempre buscou novas fronteiras, sotaques e experimentações voltados exclusivamente para a execução da guitarra elétrica. Ainda na década de 90, o músico de Belém já havia vasculhado a influência do choro na técnica original de guitarristas da região como Aldo Sena e Mestre Vieira de Barcarena, o maior difusor do gênero denominado guitarrada.
Músico formado pela Universidade Federal do Pará, a partir de 1997 o guitarrista passou a integrar o grupo Cravo Carbono, um dos mais respeitados trabalhos de flerte entre o pop e os ritmos brasileiros estabelecidos na região.
Também em busca paralela por um caminho mais próprio para suas composições instrumentais, Pio Lobato muniu-se de elementos que se tornariam patentes na sua música: colagens de bases pré-gravadas e manipuladas em computadores caseiros e muitos loops, construídos com a ajuda do echoplex - um original aparelho de delay eletrônico inventado por Mathias Grob, suíço radicado na Bahia, que permite a um músico acompanhar a si mesmo em sessões ao vivo. O resultado, que pouco tem a ver com as timbragens e ritmos mais comuns à música eletrônica, pode ser conferido em Café, o primeiro disco solo de Pio Lobato.
O compositor foi incluído como uma das boas novidades da música de Belém na trilha sonora do novo longa-metragem de Cacá Diegues - Deus é Brasileiro (2003). A faixa que compõe o filme é Recado pra Lucio Maia, a mesma composição instrumental que ganhou destaque em coletânea nacional editada pelo projeto Itaú Cultural Música – Rumos e Vertentes, lançada em 2001.
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