Angelo Cavalcante
A noite estava tranqüila. Céu aberto, enluarado, maré alta e vento à beira do rio. Um clima tranqüilo em contraste com a ansiedade que deveria existir naquela noite de 8 de agosto, quando oito bandas estavam concorrendo a três vagas para o 4° Festival Se Rasgum e mais alguns prêmios.
Mas todas as bandas negaram esse clima de nervosismo, se aproveitaram da tranqüilidade que pairava no ar e mandaram ver, tentando convencer público e júri de que estavam aptos a sobreviver àquela “batalha de bandas”.
Os escolhidos foram: o peso e a angústia do Sincera, os riffs “old school” do Inversa e a irreverência reggae de Juca Culatra & Power Trio, que além de tocar na quarta edição do festival, ganharam ensaio fotográfico, hot site, horas de ensaio e gravação em estúdio e release - isto é, a estrutura que uma banda independente precisa pra se manter.
Nenhuma dessas bandas descobriu a pólvora, mas parecem ter entendido a proposta do evento e se articularam. Levaram público, mobilizaram os amigos e fãs virtuais e, com seus 20 minutos, provavelmente caíram nas graças do júri e de algumas pessoas que não conheciam seus sons.
Para encerrar em grande estilo, Móveis Coloniais de Acaju, banda de Brasília que representa muito bem o espírito dessa dita “cena independente”. São nove caras no palco, três da equipe técnica mais o produtor/empresário. É uma banda inviável do ponto de vista de custos para qualquer evento. Eles já declararam que no início, era difícil essa coisa toda pra uma banda grande e tiraram muita grana do bolso pra bancar viagens e tocar em festivais. Construíram network aproveitando as possibilidades da internet e cavaram seu próprio espaço na Capital Federal, promovendo o “Móveis Convida”, onde eles se apresentam com artistas convidados de outras cidades.
Hoje, o Móveis Coloniais de Acaju começa a colher os frutos de todo esse trampo, mas continua ajudando a armar e desarmar cenários de shows. Essa é a grande sacada de “só os mais aptos sobrevivem”, espero que o recado tenha sido dado e assimilado por todos.
Uma coisa realmente me chamou atenção, o público! Principalmente pela sensação de renovação. Muitas caras novas ou desconhecidas, e mesmo que aquele não fosse o habitat natural, se é que isso ainda existe, mandaram bem, brincaram, se divertiram e o melhor, na santa paz. Os 3 dias de seletivas levou ao Gold Mar mais de 2 mil pessoas.
Quanto à organização do festival, essa turma é realmente guerreira, por isso, aqui vão meus sinceros parabéns pra Marcelo Damaso, Gustavo Rodrigues, Marcel Arêde, René Chalú e todos os outros que trabalharam à beça e promoveram um evento ímpar pra música local. Três noites que entram pra história. Só os mais aptos sobrevivem!
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